O movimento associativo vive quase exclusivamente do voluntariado e, é bom saber, cada vez mais pessoas tomam consciência desta realidade. No caso do movimento associativo desportivo a realidade não é tão animadora como desejamos, mas apesar de serem precisos voluntários, os poucos que têm dado a cara têm cumprido com grande profissionalismo as tarefas que lhes foram confiadas. Em relação ao associativismo na nossa modalidade, verificamos que existem factores únicos na realidade Nacional.
Não conheço, e de certeza que não existe, dirigente, organizador de eventos, vendedor de material desportivo, supervisor, cartógrafo, traçador, etc, que não seja também atleta orientista. É uma grande vantagem da Orientação pois não é uma Paixão fanática clubista, mas sim uma Paixão pela modalidade.
Normalmente, todos nós vivemos os mesmos problemas e sentimos as dificuldades da mesma forma, pelo que a nossa linguagem não tem subjectividade associada e é mais fácil encontrar soluções. Por outro lado, vive-se num estado de inexistência de heróis ou ídolos a quem a juventude possa imitar, com a excepção dos últimos anos da Super-atleta Simone Luder da Suiça. Sobre este assunto, num congresso da IOF, foi comentado que nos "5 Dias da Suécia" foi realizado um inquérito aos atletas presentes e uma grande maioria respondeu que não sabia qual tinha sido o vencedor do escalão de Elite masculino e feminino, pois cada um preocupava-se mais com o seu escalão, nem que ele fosse o H-95.
O nosso voluntariado é diferente do que normalmente estamos habituados a conhecer, pois dedicam-se a uma causa que fundamentalmente é para seu benefício pessoal. Muitos dos problemas estruturais que se deparam á nossa modalidade são debatidos por vezes com a mentalidade de atleta e não com a de dirigente, que deveria ter uma perspectiva mais abrangente. Das várias camisolas que os dirigentes costumam vestir, a de atleta normalmente fica á frente das outras, colocando os interesses individuais à frente dos interesses colectivos ou que perspectivam um desenvolvimento sustentado para o futuro. Com os avanços das novas tecnologias, em que a informação é divulgada mais rápidamente e a todos os intervenientes, a função de dirigente é cada vez mais importante, pois as decisões têm que ser tomadas cada vez com menos tempo para pensar.
Face ao exposto anteriormente é fundamental que os dirigentes da Orientação continuem a dar o exemplo de envergar a camisola de praticante, mas que coloquem em primeiro lugar a sua função de dirigente, porque a modalidade precisa de seguir rumos seguros e com determinação, para poder responder com eficácia aos desafios que esperam o Desporto Nacional pós-Euro2004.
por: Fernando Costa |