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Na sociedade actual o "DESPORTO" tem um peso cada vez maior, quer pela quantidade de postos de trabalho que origina, quer pelas emoções que em seu redor se desenvolvem.
Portugal consegue manter com lucro, simultaneamente, vários jornais desportivos diários. Não bastasse isto e ainda os principais diários informativos e semanários nacionais e regionais dedicam um grande espaço a este fenómeno e muitas vezes com direito a 1ª página.As televisões chegam a abrir os telejornais com as noticias "desportivas", veja-se o exemplo do Dia de Natal em que Luís Filipe Vieira substituiu o PAPA em todos os canais, para falar da crise do Benfica. As rádios não fazem por menos e metodicamente vão transmitindo, de meia em meia hora, todas as peripécias dos "Desportistas", desde os treinos, a vida dos balneários e mesmo, muitas vezes, as suas vidas privadas.
Mas como é que os Portugueses gostam tanto de "Desporto"? Será que gostam? Mas que "DESPORTO" é este?
Afinal chama-se futebol! E verificando nós que grandes figuras públicas (Presidentes de Câmara, Deputados, Ministros, etc.,) estão atascados até ao pescoço no Mundo do Futebol, pensamos que deve haver um vírus que os afecta, pois oferecem de mão beijada fortunas em imobiliário, perdoam-se-lhes as dívidas e ainda por cima apoia-se a destruição de estádios bons para construir estádios novos. Será que está tudo maluco? Cada vez a distância que separa o futebol das restantes modalidades é maior, porque existe uma "BOLA DE NEVE" que não pára de crescer que são a TV, rádio, jornais, hotelaria, construção civil, tudo sobrevive à custa do futebol. Entretanto as "SAD" acumulam défices financeiros sucessivos. Quem é que vai pagar tudo isto? Quem havia de ser, somos nós os contribuintes quer gostem ou não da BOLA. Será que se pode considerar o futebol actual integrado nas "SAD" e LIGA profissional um DESPORTO? Qual a legitimidade dos apoios do Estado para estes senhores? Afinal o desporto das modalidades (ultimas 2 ou 3 páginas dos diários desportivos) é que paga esta factura, pois os apoios, que deveriam reverter por mérito para as associações que por amor à camisola formam jovens e dão saúde à sociedade, têm sido reduzidos de ano para ano. Normalmente as "SAD" justificam os apoios do Estado com o trabalho de formação que desenvolvem, mas todos sabemos que a maior fatia das verbas se destina aos jogadores profissionais, além das chicotadas psicológicas em que treinadores charlatões enchem os bolsos com reformas mais que antecipadas. No meio disto tudo o Desporto Nacional vai lutando num mar de incertezas, indeferimentos, desgostos, subsídios em atraso e, quando um atleta ou clube tem um resultado internacional menos bom, ou sai abaixo da final olímpica, ouvimos logo comentários menos abonatórios em relação à sua prestação. Isto tudo para dizer que o futebol ocupa quase todo o espaço dos órgãos de comunicação social. Quando nos interrogamos sobre qual a razão porque não vemos noticias de Orientação nos jornais ou televisão, temos que pensar que também não vemos noticias de remo, ténis de mesa, badminton, squash e de muitas outras modalidades.
Não esperem que alguém venha fazer o nosso trabalho neste aspecto. A divulgação e publicidade depende de nós. Temos todos de trabalhar neste campo a nível regional para podermos avançar para projectos mais ousados. A esperança não se pode perder. Todos sabemos das potencialidades e virtudes desta modalidade por isso vamos acreditar.
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