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Região de Turismo da Serra do Marão Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Domingo, 18 Abril 2004

Concelhos

Alijó – Amarante- Baião – Cabeceiras de Basto – Celorico de Basto – Marco de Canaveses – Mesão Frio – Mondim de Basto – Murça – Sabrosa – Santa Marta de Penaguião – Vila Real

 

Caracterização Geral

A Serra do Marão afirma-se pelos factores culturais em que o isolamento e as condições geográficas marcaram profundamente a vida das suas populações. Estas mantêm, também por razões de sobrevivência, orgulho e identidade, as suas raízes, as formas de vida societária, a herança dos antepassados, e a sabedoria da convivência recíproca com a Natureza, elemento base da Região. A serra é a identidade geomorfológica onde se destaca o Parque Natural do Alvão e o Douro Património da Humanidade, como seu produto mais conhecido: o vinho do Porto. Tem uma oferta variada; mas o Douro, a visitar em qualquer meio (destaque para os comboios e barcos com unidades hoteleiras da melhor qualidade), é uma oportunidade para conhecer o envolvimento natural e a paisagem que o Homem duriense, ao longo dos séculos, construiu no respeito da Natureza para tirar dela o melhor partido.
A Região de Turismo abrange um extenso e diversificado território: dentro das suas fronteiras, podem encontrar-se paisagens próprias do Minho, do Douro e de Trás-os-Montes. As paisagens transmontanas caracterizam-se pela grandeza e pela solenidade austera; são muitas vezes pedregosas, como na Serra do Alvão, onde incontáveis blocos de granito parecem ter sido derramados a capricho. As terras fundas dos pequenos vales que bordejam as linhas de água podem ser notavelmente férteis. Como estamos em zonas de minifúndio, a terra arável é então uma manta de retalhos, em distintos tons de verde que se harmoniza entre si. Bonito de ver, o diálogo entre o rude e estas pequenas manchas de feracidade. É uma região que proporciona o lazer e a leitura dos itens recomendados pelos roteiros, mas também um conhecimento profundo dos valores paisagísticos, ambientais e humanos.

 

25 Séculos de História

A região mostra sinais de ter sido habitada desde a pré-história. Encontram-se nela vestígios do Neolítico: menires e alinhamentos, e sobretudo antas do tipo mamoa, bem como inscrições, pinturas em grutas e outros sinais da presença humana.
Seguiu-se a cultura castreja, de tempos pré-romanos, documentada em numerosos castros, povoações fortificadas geralmente implantadas no cimo dos montes, com boas condições de defesa natural. Poucos sabemos dos povos que os habitavam. A romanização é um dos momentos mais significativos da história da região, pelo que trouxe de progresso e de apaziguamento das tribos nativas. Os romanos vieram para ficar, porque o seu instinto lhes dizia que havia aqui sobejos motivos para se instalarem: O ouro abundante, as águas termais e os esplêndidos vinhos. Da sua presença ficaram diversos testemunhos: pontes e calçadas, as minas de ouro de Jales e três Minas, e sobretudo um monumental e enigmático santuário em Panóias. Segue-se um longo período em que a região se terá praticamente despovoado. A ocupação árabe no sec. VIII teve alguma expressão, visível em grande número de topónimos e também na memória colectiva do povo, que continua a atribuir a mouras encantadas tudo o que tenha visos de antiguidade.
Após a reconquista cristã, a região encontrou-se uma vez mais erma. Acompanhou, na sua proporção da sua pequenez, as vicissitudes históricas sofridas pelo próprio País: guerras, invasões, devastações. Porém alguns momentos foram vividos de forma especialmente intensa. Foi o caso das incursões leonesas dos primeiros tempos da nacionalidade ou das guerras com Castela conduzidas por D. Fernando e a subsequente Guerra da Independência. Durante as invasões Francesas, escreveram-se aqui páginas de heroísmo. Uma delas foi a célebre defesa da ponte de Amarante, em que o General Silveira conseguiu retardar durante alguns dias a retirada das tropas do general Delaborde.

 

Um paraíso ambiental

A Região tem muito mais de rural do que de citadino. A grande maioria do território é natureza – logo, ambiente. E, por sorte, ambiente e natureza que não se encontram ainda poluídos. Quer isto dizer que se pode dar um passeio pelo campo e recolher os benefícios que se esperam disso.
Os rios assumem grande protagonismo.
O Douro delimita-se a sul, dando à região onde corre um tal cúmulo de características impares - paisagísticas, de aproveitamento do solo e de ocupação humana - que é considerado Património da Humanidade. Uma série de afluentes deste cortam-na a espaços: o Tua, o Pinhão, o Corgo e o Tâmega. O Douro permite ainda, pela sua largura e profundidade, o trânsito de navios de considerável dimensão, facilitado pela existência de comportas em todas as barragens. Outro factor que dá carácter à paisagem é o relevo. A região é geralmente planáltica mas alguns maciços agigantam-se aqui e ali. A Serra do Marão, colosso de xisto com 1419m de altitude, é o acidente orográfico central e mais imponente. Visto uma vez o seu perfil de meseta nunca mais se esquece. Proporciona vistas e poentes magníficos, consoante a nebulosidade e a época do ano. A meia altitude viceja o vale da Campeã, de uma fertilidade que desmente o dito popular” Bem grande é o Marão e não dá palha nem grão”. A Serra do Alvão é também notável. Em alguns lugares, é um amontoado impressionante de monolíticos de granito, alguns de grande dimensão.

 

Sabores serranos

ImageA gastronomia da Região de Turismo da Serra do Marão é uma das mais tentadoras propostas da região. A sua origem nas dietas campesinas revela-se no facto de ser uma comida substancial, própria de quem lidava na lavoura. Um segundo traço notável é a ciência do tempero, em que entram ervas de cheiros e sabores intensos.
Os pratos mais tradicionais baseiam-se na carne. Na zona Ocidental da região predomina o anho e o cabrito, habitualmente assados com arroz no forno. Já na região de Vila Real é a vitela o prato de maior aceitação, principalmente a vitela maronesa, uma raça autóctone com excelentes qualidades de sabor e textura. Na parte Oriental da Região surgem os cozidos à portuguesa, de sabor especial devido às carnes e hortaliças utilizadas na confecção. Onde há rios truteiros, as trutas marcam posição na gastronomia local. O sável e a lampreia sobem até águas bem interiores na época da desova; um dos pontos fortes da gastronomia de Marco de Canaveses é justamente a lampreia, pescada do Douro e no Tâmega. E também o bacalhau conhece nestas terras utilizações criativas e deliciosas. Não devemos esquecer também os caldos sempre muito substanciais, enriquecidos com todo o tipo de hortaliças, batata, feijão, massa, etc. Alguns deles fogem a este padrão e são verdadeiramente típicos, como o caldo de castanhas de Terras de Basto.
Assim como não devemos esquecer os enchidos – alheiras, mouras, linguiças, salpicões, além de outros de expressão mais local – e ainda as bolas de carne.
Associadas com uma boa refeição andam as doçarias. Também aqui a variedade é enorme e deliciosa. A origem conventual de muitas delas é garantia de sabor e genuinidade. O leite-creme, o arroz doce e o pão-de-ló são propostas comuns em muitos lugares, que todavia superam os que se servem em outras regiões por algum segredo de confecção.
Há outras possibilidades mais “agarradas“ a determinados lugares da região: o toucinho-do-céu e as queijadas de Murça, as cavacas de Sabrosa, os doces de ovos de Amarante, todos com nomes sugestivos (lérias, brisas, foguetes, papos-de-anjo....), os quinzinhos e o pudim de amêndoa de Alijó, o doce da Teixeira e o doce da prima de Baião, as falachas de Mesão Frio, o manjar branco de Santa Marta de Penaguião e certas especialidades conventuais de Vila Real, como os pastéis de Santa Clara, os pastéis de toucinho-do-céu e as tigelinhas de laranja.
Quanto a vinhos, nesta região de condições ímpares para a vitivinicultura, encontra-se um pouco de tudo: vinhos de mesa, verdes e maduros, vinhos generosos, moscatéis, aperitivos, até espumantes!
A parte da região encostada ao Minho produz vinho verde, brancos e tintos. Ali, a vinha é ainda muitas vezes de enforcado. Dá-se esse nome à cultura da vinha em que esta se enrosca, como se de uma trepadeira se tratasse, em árvores de porte elevado, como os choupos que bordejam as linhas de água e as estremas dos milharais. A fama deste vinho verde está documentada desde tempos remotos. A produção principal é de vinho tinto, que tem uma cor escura como de sangue de boi. Bebe-se muitas vezes não por copos mas por malgas e canecas de barro. O branco tem, pelo contrário, uma cor aberta de sumo de limão. É ácido e fresco, com agulha, ideal para acompanhar pratos de peixe e marisco. No resto da Região, os vinhos são maduros. A produção mais famosa é a do Douro vinhateiro, onde se fazem óptimos vinhos de mesa, mas também aquele que é considerado o rei dos vinhos e o mais legítimo embaixador de Portugal em todo o mundo: o vinho dito do Porto, que a gente da terra prefere chamar vinho fino ou generoso. Um vinho fino de bom ano é seguramente um néctar inesquecível: Uma velha garrafa de colheita vintage merece-nos o mesmo respeito que uma qualquer obra de arte. Nas quintas onde é produzido, existem frequentemente estruturas que permitem ao visitante fazer provas de vinhos e até, na época própria, integrar-se na vindima e na lagarada. Na parte oriental da região, em Alijó e Favaios, produzem-se moscatéis e espumantes, completando desta forma uma carta de vinhos de riqueza invulgar em qualquer parte do mundo.

 

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Última Actualização ( Domingo, 12 Setembro 2004 )
 
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