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Ao terminar o trabalho de campo da IV Edição do NAOM, era importante ouvir o cartógrafo Armando Rodrigues, sobre a forma como tem decorrido esta importante parte da organização do evento. A organização tinha planeado o trabalho de campo do NAOM 2010 para um ano antes. Começou 9 meses antes, para nós foi um record que foi batido. O que acha sobre o timing exacto para começar a trabalhar na cartografia de um evento? |
AR. Como mandam as normas da cartografia, os mapas devem ser cartografados na mesma altura do ano em que vão ser utilizados, isto é a regra, a excepção é o exemplo que vou dar a seguir. Imaginemos que a data do evento é em Dezembro, Janeiro ou outro mês qualquer de Inverno, ora neste período os dias além de serem mais "curtos", por norma são chuvosos, o que dificulta o Trabalho de Campo (TC) e vai dilatar os dias de trabalho, aumentando assim os custos da elaboração do mapa.
O ideal será fazer a cartografia nos meses em que o tempo, por norma está mais estável, que se cumpram os prazos homologados pela FPO, e o mais importante, que seja feita a revisão do TC o mais próximo da data do evento, para não surgirem "surpresas" no dia da Prova.
Ao cartografar determinado mapa, o proprietário do terreno (depois de ter perdido algum tempo a delimitar correctamente as área de vegetação) mencionou que todas aquelas áreas seriam "fresadas" nos próximos dias. L
Em relação às edições anteriores deste evento qual a sua apreciação geral sobre o terreno escolhido?
AR. O terreno, mais uma vez é espectacular, tem quase de tudo, boas áreas "técnicas", um relevo bastante bom e áreas de pedras bem referenciadas.
Pena que a IOF/FPO no seu Regulamento de competições, não abram excepção no que se refere à escala do mapa para este tipo de terreno, pois mais uma vez é extremamente difícil "filtrar" o que deve ser cartografado e o que deve ser ignorado.
Normalmente tem conseguido uma ligação importante com os proprietários dos terrenos dos eventos, que ajuda também a organização neste aspecto, desta vez as coisas também estão a correr bem?
AR. Na primeira abordagem e quando não são conhecedores da modalidade (o que já é raro) os proprietários ficam um bocadinho apreensivos, pois julgam que a Orientação é como algumas "modalidades" em que não respeitam nada, desde deixar as "porteiras" abertas e outras façanhas. Depois de bem explicado o que se pretende ao cartografar uma determinada área e o seu objectivo, mudam de opinião e aderem bastante bem.
Além de aquisição do mapa da sua área de terreno, cartografado ao pormenor.
Sei que está a utilizar o OCAD 10 para o desenho dos mapas, o que gostava de transmitir para os amantes da cartografia sobre esta nova versão do OCAD?
AR. O OCAD 10 Pro. que utilizo, está cada vez melhor, foram adicionadas novas ferramentas extremamente úteis, mas não querendo fazer publicidade, acho que devem consultar http://www.ocad.com/en/ocadversions.htm e clicar em OCAD 10 What's new?
Pena que a equipa que desenvolve o software "ainda" não tenha desenvolvido no "10" uma ferramenta que é extremamente útil e que só funciona no "8", já solicitei ao Gian-Reto Schaad a alteração... aguardemos. L
Como vê o estado da cartografia de Orientação neste momento em Portugal?
AR. Está saudável, existem cartógrafos com vontade de aprender. Embora não haja grande intercâmbio de informação e métodos de trabalho, mas a criação de uma Associação de Cartógrafos seria um passo na direcção certa, pois colocaria regras de funcionamento e ética que neste momento me parece não existirem.
O novo Regulamento de Cartografia aprovado recentemente, vem corrigir algumas coisas, e pôr um bocadinho de ordem na classe, o Art.º 20.º , Ponto 2 do referido Regulamento é exemplo disso.
Agradeço a atenção e desejo boas provas em bons mapas a todos.
Armando Rodrigues
Cartógrafo Nível V
Lic FPO 1650
Lic OCAD 10 Pro 1104