Este trabalho, é um resumo de um manual, e pretende disponibilizar informação para os visitantes que procuram conhecimentos num âmbito mais abrangente, e fora do contexto Desportivo.
O Grupo Desportivo 4 Caminhos pretendeu assim colmatar uma lacuna existente nesta área, e responder ás várias solicitações que constantemente nos eram colocadas pelos mais variados tipos de visitantes.
Agradecemos que enviem os vossos comentários para a caixa de visitas no sentido de corrigir possíveis erros encontrados.
Do grego “Topos”= Lugar e “Graphein” = Descrever
Descrição e representação gráfica de um lugar, sendo considerada uma arte na parte respeitante ao desenho no papel de todos os acidentes da superfície terrestre, e considerada uma ciência, na parte respeitante à avaliação e interpretação qualitativa e quantitativa, das medições necessárias ao cálculo, que vai permitir o desenho correcto da “representação de Lugar”.
Muito antes de deixar a vida nómada, o homem quando se deslocava já utilizava sinais no solo, uns naturais outros artificiais conhecidos por “referências de marcha”, para se orientar e ter a garantia de saber chegar ao seu destino. Actualmente quase todas as pessoas utilizam este sistema, quer em letreiros toponímicos com indicação de distâncias a destinos, em estradas, quer em faróis ópticos ou electrónicos ou ainda, para os geodestas, marcos ou vértices geodésicos.
Esses sinais estão disseminados por todo o mundo e alguns muito antigos, constituem ainda hohe mistérios, que dificilmente se podem solucionar.
Assim, se percorrermos zonas como Stnehenge (Inglaterra), Carnac (França), Almendras (Évora)e outros locais como o Egipto e o Incatão, encontramos minas misteriosas de pedras com distribuição curiosa, que no máximo são “ referências” podendo mesmo Ter significado astronómico.
Era lógico que os contemporâneos destes sinais, os quisessem comunicara os seus semelhantes, que tinham de utilizar tais caminhos e que portanto, fizessem esboços, plantas, mapas etc,.. desses percursos.
O cadastro das propriedades, no sentido de “registo de terras”, só aparecem quando o homem se fixou á terra para ser lavrador. Desta data em diante precisou dum calendário para as suas culturas.
No Império Hitita a topografia era uma profissão de peritos.
No Império Babilónico, a topografia alcançou tal forma, que foi criado um posto especial “ Guardas das Reais Pedras de Extremos”.
A Bíblia fala da topografia, pondo na boca de diversos profetas alusões a trabalhos de topografia ou a esta arte ligados.
Os chineses são os observadores astronómicos mais antigos de que se tem conhecimento através dos relatos escritos dos missionários Portugueses que tiveram acesso a esses registos da vários séculos antes.
Os Gregos consideravam a topografia como a ciência de divisão de terras; era portanto utilitária. Thales de Mileto, filosofo grego da era de 640 a .c., já ensinava aos discípulos que a terra era esférica e explicava quais as causas dos eclipses solares e lunares.
O grande geógrafo da antiguidade Eatóstenes 275 a 193 a . c. foi o primeiro a publicar um tratado de geografia, e a calcular cientificamente o comprimento da circunferência terrestre.
Ptolomeu, reunindo as determinações de Longitude e Latitude de lugares conhecidos estabeleceu os fundamentos do método das projecções, para elaboração de cartas geográficas, contribuindo de uma maneira incalculável para a divulgação da geografia.
Estrabão que viveu entre 63 a.c. e 24 d.c. escreveu uma geografia síntese de todos os estudos anteriores (17 volumes). Esta geografia foi dada como desaparecida no incêndio da biblioteca de Alexandria, foi recuperada e traduzida para línguas vivas na renascença.
Os Romanos distinguiam-se no cadastro. O próprio Júlio César se fazia acompanhar nas suas expedições guerreiras de geómetras e agrimensores que indicavam os valores das terras ocupadas, por forma a permitir que o tributo a aplicar aos povos vencidos, fosse o mais justo possivel, proporcional ás terras de que dispunham.
Na idade média, nada se adiantou no aspecto do conhecimento cientifico pelo menos na Europa. No entanto a civilização árabe evoluiu neste âmbito neste período.
Foi no reinado de Afonso rei de Castela cognominado o “Sábio” que era dotado de um espirito de exactidão que se traduziu para o latim o “ Almagesto” a partir da versão árabe que era um dos melhores livros Gregos.
Mais tarde aparece a luneta de Galileu ou de Kepler, Newton(mecânica Celeste), Descartes (sistemas de coordenadas), Flanmteed (cálculo diferencial)Neper (logaritmos), e outros que permitiram avançar na ciência da observação dos astros, que mais tarde facilitou o desenvolvimento da topografia e geodesia .
Nos fins do séc. XVIII, em Portugal, tiveram inicio os trabalhos da triângulação Fundamental que durou até 1863.
Não se pode deixar no esquecimento o mais conhecido geografo Português, o Almirante Gago Coutinho.
Em 1899 foi publicada a primeira folha da carta do Estado maior na escala 1/ 20000.
Entre 1927 e 1929 oram editadas as 29 folhas da carta itinerária de Portugal na escala 1/ 250 000, pela secção cartográfica do Estado Maior.
Entre 1932 e 1951 já com o serviço Cartográfico do Exército a funcionar foram levantadas e executadas pelo S.C.E. todas as 640 folhas da carta 1/25000 do Continente.
Em 1954 foram editadas as 30 folhas dos Açores e em 1970 as 16 folhas da Madeira.
Também o S.C.E. executou o levantamento completo de 72 folhas da Guiné, de 64 folhas de Cabo Verde e diversos fotomapas de Angola e Moçambique.
Com o progresso nos instrumentos e equipamentos, bem como o aparecimento de novas técnicas, permitiu um efectivo desenvolvimento da topografia. As actuais necessidades de cadastro, estabelecimento de vias de comunicação, construção de obras de arte, desenvolvimento de Indústrias, assim o obrigaram, exigindo ainda precisão e rapidez.
Actualmente os teodolitos de alta precisão, os teodolitos acoplados a distanciómetros electro-ópticos, modernos fotorestituidores e instrumentos de ortoprojecção, desenho automático, giro-teodolitos etc. transformaram em científica uma técnica outrora artesanal.
A geodesia forneceu a cobertura da zona a levantar topograficamente ou a cartografar, sob a forma de um “ esqueleto” de apoio geodésico, ou rede geodésica e atribuiu a cada vértice (geodésico), as suas coordenadas geodésicas devidamente compensadas e coerentes em bloco, com toda a figura de apoio construída.
É agora a vez da cartografia interligar os pontos da superfície terrestre, tratados como estando no elipsóide, com as suas imagens no plano de referência horizontal (projecções), isto é, transforma as coordenadas geodésicas, em coordenadas cartesianas rectangulares.
Dispondo de uma malha de pontos (vértices geodésicos)relativamente densa (em Portugal são cerca de 10.000 só no continente), com um afastamento que não vai além de 3 a 4Km, tal densidade permite considerar no interior das pequenas áreas, definidas pelos vértices geodésicos mais próximos, como uma área plana e simplificar assim todos os trabalhos da topografia. Partindo desta premissa, a base dos cálculos topográficos assenta na geometria plana e limita-se a, sinteticamente, realizar a medição de ângulos e distâncias.
A Geodesia construiu, observou e calculou as coordenadas geodésicas de todos os vértices geodésicos existentes, como uma malha de cerca de 3km de lado.
A Cartografia transformou essas coordenadas em coordenadas planas rectangulares, por meio de um sistema de representação plana com um mínimo de deformação.
A Topografia desenha a planta topográfica, por meio de levantamentos de pormenor da zona a levantar topograficamente, apoiando-se ou não em vértices geodésicos e determinando as coordenadas planas de outros pontos por processos e métodos da geometria plana.
Formas características simples
O estudo sistemático dos diferentes acidentes de terreno, levou à conclusão que estes, por mais complicados que sejam, derivam sempre de duas formas simples:
- O Têrgo, Colina
- Vale, Reentrância
Com mais rigor pode dizer-se que,o têrgo é a forma simples do terreno que se assemelha à intersecção de dois semi-planos, cuja concavidade fique voltada para baixo. A linha de intersecção dos dois semi-planos, denomina-se LINHA DE FÊSTO ou de separação de águas ou de cumeada.
O vale assemelha-se à intersecção de dois semi- Planos com a concavidade voltada para cima. A intersecção dos dois semi – planos denomina-se TALVEGUE ou linha de reunião de águas.
Distinguem-se pelas suas características :
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Nos têrgos, as curvas
de nível de menor cota envolvem as de maior cota, enquanto nos vales sucede o
contrário.
- Nos têrgos, a linha do fêsto é uma linha de separação de águas e uma linha de maior declive de terreno, que representa o caminho mais áspero para subir e o mais suave para descer, pelo contrário, nos vales, o talvegue é uma linha de reunião de águas e uma linha de maior declive do terreno, que representa o caminho mais suave para subir e mais áspero para descer.

Quanto à sua forma, os vales podem classificar-se em:
- vales de fundo chato
- vales de fundo côncavo
- vales de fundo ravinoso
nos vales temos que considerar a origem (ponto mais elevado do talvegue)a foz (parte onde o talvegue encontra o mar)e a queda(diferença de nível entre a origem e a foz)
tanto as linhas de festo como os talvegues, constituem as linhas características do terreno.
Formas Derivadas ou compostas
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Elevação - resulta da reunião de dois ou mais têrgos Depressão – resulta da junção de vales |
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A comparação entre a elevação e a depressão, mostra que na primeira, as curvas de nível de menor cota envolvem as de maior cota, sucedendo o contrário numa depressão. |
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Colo – é uma forma composta de terreno, resultante da intersecção de dois têrgos e contitue uma zona de passagem obrigatória. |
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Esporão – a parte terminal de uma linha de festo, em vez de descer até ao talvegue, segundo um têrgo de declive mais ou menos constante, ergue-se por vezes, dando lugar a um movimento de terreno muito característico, que não é mais que uma elevação de importância secundária |
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LEIS de BRISSON
A observação atenta do terreno, conduz ao estabelecimento de leis que relacionam a planimetria com a altimetria, por outro lado a observação de outros elementos- tais como o traçado das vias de comunicação, o curso dos rios, os nomes de certos lugares e a existência de determinados sinais convencionais- dão também indicações úteis quanto à altimetria do terreno.
Leis sobre a continuidade dos declives
Qualquer talvegue comunica com outro talvegue e o conjunto duma mesma bacia, forma uma árvore cujo tronco é o curso de água principal.
Qualquer linha de fêsto está ligada a outra linha de fêsto, de maneira tal que, todas as linhas de fêsto dum continente, ou duma ilha formam um só feixe, com a forma duma árvore sem tronco, em que cada ramo separa dois outros ramos constituídos por talvegues.
As linhas de fêsto e os talvegues enquadram completamente o terreno
Leis respeitantes aos Talvegues
O declive dum curso de água cresce de forma continua, da foz até à nascente.
Se num mesmo plano forem traçados os perfis dum curso de água e dos afluentes, a curva perfil do curso de água e dos seus afluentes, a curva perfil do curso de água principal, envolve as dos seus afluentes.
O ângulo formado pela direcção de dois talvegues no ponto de reunião, é geralmente inferior a um ângulo recto. A confluência apresenta normalmente uma inflexão do curso de àgua principal, em direcção ao seu afluente.
Quando duas linhas de água descendo paralelamente do cume duma montanha, infletem em direcções opostas, a linha que junta os cotovelos indica a depressão mais profunda entre as duas vertentes e portanto a existência dum colo.
Quando uma linha de água apresenta sinuosidade, a margem situada do lado da convexidade tem comandamento sobre a outra, e à sinuosidade duma linha de água, corresponde numa margem um têrgo e na oposta um vale.

Quando uma linha de água forma um cotovelo e a margem situada do lado da convexidade é mais escarpada do que a outra, a parte horizontal do fundo do vale é mais estreita junto da margem escarpada que na outra.
Quando uma linha de água se divide em ramos sinuosos, formando ilhas irregulares, pode concluir-se que o vale é largo e o talvegue pouco acidentado ou sensivelmente horizontal.
Havendo um único braço e quase rectilíneo, o vale é estreito e o talvegue muito pronunciado e de grande inclinação longitudinal.
Leis respeitantes às linhas de fêsto
Uma linha de fêsto está sempre ligada a outra linha de fêsto.
Se dois cursos de água estão a níveis diferentes, a linha de fêsto que os separa, está mais próxima do mais elevado.
A linha de fêsto que separa dois cursos de água, eleva-se quando estes se afastam e desce quando se aproximam. A um máximo de distância entre os dois cursos de água corresponde geralmente um mamelão. A um mínimo de distância entre os cursos de água corresponde em geral um colo.
Quando nascem dois talvegues dum e doutro lado duma linha de fêsto, esta geralmente baixa, formamdo um colo.

Quando uma linha de fêsto muda de direcção, destaca-se aproximadamente na região oposta ao ângulo formado, um contraforte, que pode ser muito curto, mas que existe sempre.
Qualquer linha de água está compreendida entre duas linhas de fêsto, que desde a origem até à foz, se vão afastando à medida que descem, diminuindo o seu declive.

Quando duas linhas de água se encontram, a linha de fêsto do têrgo que as separa, está sensivelmente no prolongamento do curso de água resultante.

Quando muitas linhas de água partindo dum ponto central, seguem direcções diversas, há sempre na sua origem comum, um ponto culminante.

Quando duas linhas de água, depois de caminharem em sentido inverso, mudam de direcção, o ponto mais baixo da linha de fêsto que as separa encontra-se sobre a linha que une os dois cotovelos.

Se uma só dessas linhas de água muda de direcção, a parte mais baixa do fêsto, encontra-se entre a perpendicular tirada do cotovelo, sobre a direcção da outra linha de água.
Leis respeitantes às vertentes
- As vertentes têm a forma duma superfície com a dupla curvatura, convexa na parte superior e côncava na parte inferior. Esta dupla curvatura é evidenciada por duas linhas de mudança de declive, em que a superior é sensivelmente paralela à linha de fêsto e a inferior é sensivelmente paralela à linha do talvegue.
Outras relações entre a planimetria e a altimetria
independentemente das leis de Brisson atrás enunciadas, a simples observação de certos elementos duma carta – traçado de estradas, curso de rios, nomes de povoação, etc.,etc., pode fornecer indicações não menos preciosas.
Assim, uma estrada muito sinuosa, dá-nos a indicação certa do acidentado do terreno, o mesmo sucedendo com o traçado duma via férrea cheia de pontes e túneis.
O aparecimento de nomes de povoações, tais com BELA VISTA, MONTEMOR ou VALONGO, indica-nos que a primeira se situa num ponto dominante, a segunda num monte e a terceira num vale de grande extensão.
Um simples sinal convencional, pode-nos dar uma indicação preciosa, quanto à altimetria do terreno; assim, o sinal de horta ou de prado só aparece em zonas de planície, com água próxima.
Pesquisa de linhas características sobre a carta
Tanto as
linhas de fêsto como os talvegues enquadram completamente os movimentos do
terreno, constituindo por assim dizer os elementos essenciais do estudo do
terreno para o topógrafo e também para o estudo da carta por ele empregue.
Definiram-se
essas linhas características, como a intersecção de duas linhas de separação de
áquas, enquanto as segundas são linhas de reunião de águas.
Contudo, duas
superfícies em declive também se podem intersectar, sem que exista forçosamente
uma linha de reunião ou de divisão de águas, bastando para verificar tal
asserção, fazer bascular as formas anteriores, sendo assim linhas de mudança de
declive.
Pesquisa dos talvegues
Uma parte dos
talvegues está exactamente representada nas cartas pelos respectivos cursos de
água, linhas importantes de planimetria facilmente identificáveis.
Contudo
existem numerosos vales, nos quais não correm cursos de água. Nesses vales, o
traçado dos talvegues deduz-se através do desenho das curvas de nível, pois
estas mudam de direcção nos talvegues, desenhando uma espécie de cotovelo, cujo
bico está dirigido para montante, isto é, para a origem.
Pesquisa de linhas de fêsto
Existe sempre uma linha de fêsto:
- entre dois talvegues
- em cada um dos ângulos formados pelos confluentes dos talvegues.
Nas linhas
de fêsto as curvas de nível mudam de direcção, formando uma espécie de cotovelo,
cujo bico está dirigido no sentido dos declives descendentes.
Enquanto na
pesquisa dos talvegues é necessário ir até ao pormenor, para as linhas de fêsto
basta marcar s mais importantes, para se ter uma ideia da forma geral do
terreno.
Linhas
de Mudança de declive
As vertentes
ou encostas de uma colina, não têm em geral um declive uniforme. As linhas que
unem os pontos onde o declive do terreno muda bruscamente, chamam-se linhas de
mudança de declive.
Nas cartas
essa mudança de declive é acusada pela variação de distância que sofrem as
curvas de nível entre si.
A CARTA
As cartas são
representações planas, reduzidas, simplificadas e completadas por sinais
convencionais, duma zona da superfície terrestre. Uma carta topográfica é assim
um desenho, que nos permite apreciar não só as dimensões e as formas do terreno
numa dada região, mas também o seu relevo. Este desenho é uma projecção cotada,
em que os pontos são projectados ortogonalmente, sobre um plano horizontal e em
determinada escala, ficando definida a sua posição pelas suas coordenadas, em
relação a um sistema de eixos rectangulares.
Ao conjunto
de operações, que tem por fim determinar as coordenadas de pontos de superfície
terrestre e efectuar a sua representação, chama-se levantamento .
A execução de
um levantamento impõe que sejam realizadas determinadas operações, com vista a
fixar a posição em planta dos pontos da superfície da Terra – operações
planimétricas – e outras operações, que permitem fixar a posição em
altura dos mesmos – operações altimétricas -.
A planimetria
visa portanto a representação e determinação da posição dos “ objectos” e “
linhas”, tanto naturais como artificiais, existentes à superfície da terra (linhas de água, limites de vegetação, vias de comunicação, edifícios, limites de
culturas, limites administrativos, etc.); a altimetria por sua ez, tem por fim
representar a definir o acidentado do terreno.
Uma carta ou
planta só é completa e constitui elemento de real valor e utilidade, quando além
de representar figuras semelhantes às que se encontram no terreno –planimetria
–exprime também o seu movimento- altimetria -.
No entanto o
conhecimento da região só será completo, quando paralelamente se interpretar a
carta a observar o terreno, já que o estudo do terreno e o conhecimento da
carta, são inseparáveis.
Escala
As dimensões
naturais são na representação, reduzidas numa determinada proporção.
Existe uma
relação constante entre as dimensões das formas representadas e as das
homólogas no terreno, relação esta, a que se chama escala E.
A distância
horizontal “D” entre dois pontos da superfície terrestre – distância natural-
será representada na carta por uma distância “d”, segundo dada proporção
–distância gráfica-.
Reciprocamente, conhecendo a escala da carta, podemos determinar a distância
horizontal entre dois pontos da superfície terrestre, medindo o comprimento
correspondente sobre carta.
A escala
numérica E exprime-se por uma fracção, cujo numerador é a unidade.
E = 1/m
Uma distância “D” medida no terreno, é reduzida ao ser representada na carta
d=D/m
uma distância “d” medida na carta, deve ser multiplicada por m, para se obter a distância correspondente no terreno. “m” designa-se por denominador da escala.
D = d x m
A escala
diz-se grande, quando m é pequeno e então uma dada superfície do terreno é
representada por uma grande superfície sobre a carta, enquanto que numa escala
pequena, figura-se a mesma região numa pequena superfície da carta. Assim por
exemplo, a escala 1/10.000 é maior do que a escala 1/100.000.
A escala
Gráfica é constituída por dois segmentos de rectas paralelos muito próximos,
(o inferior desenhado com um traço mais grosso), divididos em partes iguais,
representando à escala, o comprimento da unidade escolhida. A divisão à
esquerda do zero da escala, denominada Talão, é, normalmente dividida
em 10 partes iguais.
A escolha da
escala tem a maior importância, dependendo essa escolha do fim a que se destina
e sendo condicionada, pela precisão planimétrica que se pretende obter e
pelo grau de pormenor que se procura representar.
Sinais Convencionais
Torna-se impossível com frequência, representar graficamente determinados pormenores planimétricos, que apesar das suas pequenas dimensões, devem figurar na carta, dada a sua importância. Então utilizam-se na sua representação os sinais convencionais, cujas dimensões não têm nenhuma relação com a dimensão real do elemento que representa.
Toponímia
Topo = lugar + nimia = nome
Estudo dos nomes de lugares habitados e de sítios, de países, ruas e caminhos.
Os topónimos têm as mais variadas proveniências: de nomes próprios de pessoas e
das profissões que exercem ou exercera, (Alfaiatas, Oleiros), de santos(o estudo
destes últimos constituiu a hagiotoponímia), de animais (Cabreira, Cerveira, Gulpilhares de golpelha, do latim vulpica = raposa), do reino mineral
(minas de
ferro por exemplo, Ferreira, fontes, rios, alguns deles muito antigos e cursos
de água em geral, e daí as modalidades de hidronímia e potamonímia), da flora
(nomes de árvores e de plantas, cujo estudo constitui a fito- toponímia, e daí
nomes como Aveleda e Avelaneda, Cercal, relacionada com quercos = Carvalho).
Como valiosa
disciplina da Geografia e da Cartografia,a toponímia permite-nos saber que, em
determinadas regiões, existiram noutras épocas espécies vegetais hoje aí
desaparecidas, como castanheiro ou o carvalho roble.
Outra
variedade de de toponímia é a oronímia ou a microtoponímia, que estuda os nomes
relacionados com o relevo e acidentes do solo. Veja-se o grande número de
topónimos com o nome de Gândara, Outeiro ou Várzea, ou aqueles em que aparecem
com frequência imagens antropomórficas,por exemplo, Cabo, do latim cap = cabeça,
Costa, Lomba ou Lombo, Mamoa.
É também
através do estudo dos topónimos, que melhor se podem conhecer as zonas de
influência de alguns povos, quer de épocas muito recuadas, quer em relação a
períodos anteriores ou posteriores à dominação romana. Entre estes avultam o
germânico e o árabe. Os nomes germânicos, todos eles provenientes de nomes de
pessoas, distribuem-se na Península I bérica, no Norte de Portugal e na Galiza,
por exemplo, Ermezinde,Esmoriz, Gadramil, Rendufe, Tagilde; os topónimos de
origem árabe e moçárabe encontram-se de preferência no sul de Portugal, mas
aparecem também no centro e noroeste da Península (é o caso da Almada, Arrábida,
Afife, Azurara, Cadima)
A toponimia
que se encontra nas cartas portuguesas, por vezes não estará correcta, mas é uma
excelente contribuição dos cartógrafos para o conhecimento da sua teoria; tais
topónimos são resultados de consulta local, e por vezes são percebidos com
deficiência, quer da pronuncia quer de recepção. No entanto para um total de
cerca de 40 000 lugares (com nome)e outros tantos que não cabem no censo de
População, por não terem um mínimo de 10 fogos, é de calcular que haja alguns
errados.
Altimetria
Método das Curvas de nível
Permite
representar de modo exacto as formas geométricas, como é ainda
suficientemente sugestivo para permitir imaginar o movimento do terreno.
Supõe-se a
superfície do terreno cortada por planos horizontais equidistantes,
projectando-se essas curvas de intersecção num plano horizontal de referência.
As curvas obtidas, representando a projecção dos pontos do terreno com a mesma
cota ou nível, chamam-se curvas de nível.

O terreno
ficará tanto mais bem definido, quanto menor for a distância entre os diferentes
planos horizontais e portanto essa distância dependerá da precisão que se
procura obter, mas no entanto, ela não deve ser tão pequena, que as curvas de
nível obtidas por muito numerosas, sobrecarreguem o desenho e tornem difícil a
leitura da carta, nem tão grande que as curvas de nível sejam insuficientes,
para representar o relevo com a precisão conveniente.
A distância
contada na vertical entre dois planos secantes consecutivos – planos de nível -,
é designada por equidistância natural e representa-se pela letra E.
A
equidistância natural reduzida à escala da carta, designa-se por
equidistância gráfica, representa-se pela letra “e”, logo:
E = e.m ou e = E/m
A
equidistância gráfica normalmente adoptada nas cartas portuguesas é de 0,5mm
Para as
cartas desenhadas nas escalas 1/25 000 e 1/ 250 000, foi adoptada a
equidistância gráfica de 0,4mm, pois mantendo o valor de e = 0,5 mm,
correspondiam-lhe valores pouco cómodos, para as respectivas equidistâncias
naturais.
Declives :
Para a mesma
equidistância gráfica, a um intervalo igual entre as curvas de nível,
corresponde sempre o mesmo declive, quaisquer que sejam as escalas das cartas em
que isso se verifique.
A inclinação
de um plano define-se pela inclinação da sua recta de maior declive, que é
aquela de entre todas as rectas do plano, que faz o maior ângulo com o plano
horizontal.
Chama-se
declive duma recta, à tangente do ângulo que essa recta faz com o plano
horizontal.
Interessa ter
uma noção intuitiva dos declives, pela distância a que se encontram as
sucessivas curvas de nível duma carta.
d= e/i d- declive ; e – equidistância gráfica da carta ; i – distância horizontal entre duas curvas de nível sucessivas, expressa em milímetros.
Regras para o traçado das Curvas de nível :
a primeira curva de
nível de referência, é sempre a de cota zero.
Mesmo não sendo desenhada, é sempre em referência a ela que se traçam todas as
outras.
Uma curva de nível ao atravessar uma linha de água, sofre uma inflexão, voltando a concavidade para montante.
Uma curva de nível nunca corta uma linha de água em mais de um ponto. Caso contrário a linha de água teria a mesma cota em mais do que um ponto.
duas curvas de nível em regra não se cortam. há casos especiais de perfis do terreno, em que as curvas chegam a tocar-se, até intersectar-se como mostram as figuras. Nestes casos, suprime-se as curvas de nível e substituem-se por um sinal convencional designado ESCARPADO.

Uma curva de nível nunca se interrompe dentro dos limites do desenho
A não ser quando encontra o sinal de escarpado, ou um sinal convencional, que se possa tornar confuso com a sobreposição do desenho.
Quando for necessário pormenorizar mais qualquer acidente do terreno, ou detalhar uma variação de declive, podem usar-se curvas de nível intermédias, que correspondem a uma equidistância gráfica igual a metade da carta. Estas curvas de nível são em regra desenhadas a tracejado.
Para facilitar a leitura das cartas, é costume de 5 em 5 curvas de nível reforçar uma. Estas curavas desenhadas com traço mais grosso, são interrompidas e nesse intervalo é inscrita a cota respectiva designando-se por curvas de nível mestras.

Traçar o Perfil do terreno segundo uma direcção
Chama-se
perfil do terreno segundo uma determinada direcção, à intersecção da superfície
do terreno, com um plano vertical que passe por essa direcção.
Para desenhar
o perfil, acham-se os pontos de intersecção das curvas de nível e de outros
pontos cotados, que definem a superfície do terreno, com o plano vertical que
passa pela direcção dada.